Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente da malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
“Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
passou vida folgada, e milagrosa;
comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”
Eu voto Bocage para Poeta Oficial deste Blog
Prémios Enocucomeis 2017/2018
Há 8 anos
1 comentário:
Ahh, poemas com a palavra putanheiro e fodeu são de uma qualidade superior e de uma plenitude intrinseca que prescrute no intimo e envolve os sentimentos num redemoinho de sensações interiores que se reunem num burbulhar de realidades paralelas que, juntamente com uma força animalesca, se animam as ostes e reflitem no seu ser.....
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