domingo, 12 de abril de 2009

Bocage, provavelmente o melhor poeta do mundo (no que toca à promiscuidade e à indecência)

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente da malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

“Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
passou vida folgada, e milagrosa;
comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.”

Eu voto Bocage para Poeta Oficial deste Blog

1 comentário:

Fear Is The Key disse...

Ahh, poemas com a palavra putanheiro e fodeu são de uma qualidade superior e de uma plenitude intrinseca que prescrute no intimo e envolve os sentimentos num redemoinho de sensações interiores que se reunem num burbulhar de realidades paralelas que, juntamente com uma força animalesca, se animam as ostes e reflitem no seu ser.....